terça-feira, 5 de agosto de 2014

Férias nos Estados Unidos - Parte 02

Continuando com a minha saga maravilhosa até os Estados Unidos! Depois que eu comprei as passagens, percebi que só teria cinco dias para organizar as coisas isso incluía achar e arrumar uma mala, falar com quem eu tinha que falar e essas coisas. Meu voo saia de Aracaju as 19h, cheguei em casa as 17:30, e eu moro a uma hora do aeroporto. 

Se tem uma coisa que acho chato de organizar é mala. Não tenho nenhum parâmetro organizacional, geralmente pego todas as coisas, coloco dentro da bagagem e acabou já era e foi mais ou menos assim que fiz. Para começar, eu não tinha uma mala suficientemente grande, acabei pegando emprestada a de uma amiga. Coloquei tudo que eu iria precisar – e o que não iria também, rs – dentro, fechei e vamos para o aeroporto. Até então, minha ficha ainda não tinha caído e eu ainda estava com medo. 

Como falei no outro post, sou uma pessoa pessimista e isso me irrita e irrita as outras pessoas, quando sai de casa, sai com a sensação de que tudo daria errado, tanto que quando olhei para a minha família, senti uma dorzinha no coração por motivos de: A minha irmã estava preocupada e com mais medo que eu. Então, sai de casa com aquela ponta de desespero, sem querer transparecer para minha família e tals, mas fui. 

A primeira parada era SP, resolvi embarcar um dia antes. Explicando: comprei minha passagem com saída de SP, então fiz: São Paulo/Atlanta/Newark, e lembram as passagens para a Argentina? Então, viraram os tickets para Sampa. 

Voltando, embarquei um dia antes, por que se tivesse algum tipo de bronca, resolveria logo. Fiquei hospedada na casa de um amigo e a noite, a mãe dele fez de tudo para me acalmar. Como ela já tinha saído do país uma vez, me explicou algumas coisas, me ensinou alguns truques e achei muito legal da parte dela. De verdade. 

Dormi, acordei, arrumei mala, desfiz mala, conversei com as meninas no What’s, queria vomitar, quis voltar pra casa, desisti da viagem cinco vezes, peguei o ônibus fui para o aeroporto de Guarulhos, desisti da viagem de novo. É, é isso mesmo que vocês leram, o medo era tanto que desisti de voar, pelo menos 100 vezes. 

Eu acredito que existem dois tipos de medo que você tem que lidar todos os dias em sua vida. O primeiro é aquele que trava tudo, que o indivíduo não sai do lugar, aquele que paralisa todo o seu ser e você não consegue fazer nada. Consequência: você desiste. 

E tem aquele segundo, que é o que te dá um frio na barriga, aquele que só de pensar a pessoa treme toda, o coração acelera e a ansiedade toma forma e te impulsiona, aquele que te empurra mesmo, que dá um chute no meio das costas e diz: vai! Vai comigo – o medo – mesmo. Consequência: você se joga. 

Graças aos céus, naquele momento fui acometida pelo segundo e foi com ele que entrei na fila no check in, que despachei minha bagagem, que passei pela segurança, que entrei na sala de embarque internacional, que sentei em frente ao portão de embarque, que esperei chamada do voo, que sentei naquela poltrona 19b (uma janela), que voei. Voei nos céus mais altos, atravessei continentes, vi um dos céus mais lindos da minha vida, foi com esse medo que desembarquei em Atlanta as 7:15 da manhã. 

Se vocês querem saber sobre o voo, só posso dizer que foi muito tranquilo, apesar de eu ter tentado dormir e não ter conseguido e apesar de ter ingerido dois dramin’s e o cacete do remédio não ter feito efeito nenhum. Ah, e apesar de que todas as vezes que eu ia comer, a aeronave tremia (ARGH), apesar de tremer durante duas horas e o cara do meu lado pensar que tenho mal de Parkinson. Foi ai que descobri uma das grandes ironias da minha vida: ODEIO VOAR e trabalho em uma empresa de aviação. Well done! Ou pelo menos, não gosto de voos longos.



Por sorte, eu encontrei algumas pessoas que iam para o mesmo voo e que iriam embarcar na mesma modalidade que a minha. A senhorinha foi muito gente boa, muito mesmo! Me acalmou, conversou comigo. Mas, ninguém me acalmou mais que minhas amigas (Suelen e Fernanda no what’s). 

Enfim, cheguei em Atlanta e tinha que passar pela imigração, que foi uma coisa tão tranquila, mais tão tranquila que sai de lá saltitando. Só que não. O oficial olhou para mim, perguntou como eu estava, “estou bem obrigada, e você” “tudo bem, também” “você vem de férias” “sim” “vai ficar onde” “na casa de uma amiga” “quanto tempo?” “uma semana” “no que você trabalha?” “em uma cia aérea” “ok” – carimba passaporte – “bem vinda aos Estados Unidos”. 

(YAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAY)

Sai de lá, depois fui pegar bagagem, redespachar bagagem e literalmente viajar pelo aeroporto de Atlanta. O lugar é imenso. IMENSO! Tanto que para ir de um terminal para outro eles utilizam um mini-metrô. Isso mesmo, senhoras e senhores e tabaréus como eu: no aeroporto de Atlanta tinha um mini-metrô. Mas, antes de chegar neles, andei uns 30 minutos. (risos). 

Teoricamente, meu voo para Newark sairia as oito e um pouquinho, antes disse parei no guichê da Delta e perguntei como estavam os voos e foi uma cara muito amável que o atendente disse-me que todos os voos daquele dia para Newark estavam lotados. Seria um dia difícil. 

E foi. 

Fui para o portão de embarque, ainda naquela de “vou conseguir embarcar”, mas no final das contas só uma pessoa conseguiu, para aumentar o meu drama, tinha os monitores em cada portão de embarque e a todo instante saia a lista de stand by*, bem, para stand by embarcar tem sempre uma lista de prioridades, a minha era a última e para aumentar um pouco só o drama, eu era a última da lista e para piorar toda a situação, não conseguia acesso à internet de jeito nenhum. 

Para não dizer que não acessei, consegui mandar recado para algumas pessoas quando desembarquei, já passavam as 14h e eu não tinha dado nenhuma notícia, a ninguém! Até que acabei chegando em uma lojinha de eletrônicos e perguntei ao rapaz onde eu encontraria ponto wifi, o moço acabou achando uma rede que só funcionava na praça de alimentação, mas foi a minha salvação. 

Quando o celular conectou, tinham mais de 500 mensagens no What’s, sei lá quantas notificações no facebook, achei que o troço ia explodir na minha mão de tanto que apitava, enfim... Consegui falar com as pessoas e tentei ao máximo mudar meu voo para outro aeroporto, sem sucesso. 

A coisa estava tão tensa, que comecei a chorar no aeroporto. Daí, foi engraçado porque, tinha um rapaz que trabalhava em uma loja e ele me viu chorando, na verdade, sempre que o moço passava, euzinha estava largada acabada em lágrimas. Acho que na terceira vez que ele me viu chorando, ele perguntou “are you alright?” “yeah, I’m", mas na verdade...




Acabei passando mais de 12h no aeroporto esperando uma vaga que não chegaria até o outro dia. Depois que conversar com a Suelen e a Fernanda, acabei cedendo e indo até um hotel chamado Days Inn, peguei o ônibus do hotel e comecei a ficar encantada com Atlanta, foi um choque de realidade. 

Céus, estou aqui. Isso é verdade? Eu estava lá, estava na terra do Tio Sam, na terra do povo mais desconfiado do mundo. Atlanta é uma cidade linda e quente, mas não consegui aproveitar muito devido a carga de estresse devido a não possibilidade de embarque, para não dizer que não sai, fui até um posto de gasolina, desses que eu só via em filmes e comprei algumas coisas que estavam na mala principal (que já estava em Newark).


Vista do Days Inn 
Uma dica valiosa: Sempre que você for viajar, leve na bagagem de mão um kit de emergência que consiste em: uma ou duas peças de roupa, pijamas, roupas intimas, itens de higiene pessoal, remédios e uma TOALHA (obrigado, Douglas Adams). 

Depois do posto, fui em um BK, pedi minha comida e agora vem um dos meus primeiros micos em solo americano. Fui pegar Coca-Cola™ na máquina de refrigerantes e ao invés de apresentar apenas um tipo de refrigerante – aquele que a gente conhece – apareceram UM MONTE. Pensei: “apertei algo errado, vou tentar de novo”. Tentei e tinha de tudo, menos a tradicional, tinha cherry-coke, Orange-coke, vanilla-coke, tequila-coke, pqp-coke. Acabei pegando uma cherry-coke que é até legalzinha, não é assim um Guaraná Jesus, mas dá pra beber. 

Nessa viagem, pude descobrir alguns aspectos meus que não conhecia; posso ter uma crise muito forte de ansiedade quando estou sob forte estresse. Sempre soube que era ansiosa, minhas unhas que o digam, mas não sabia que a ansiedade poderia chegar a um nível tão alto, por causa disso não consegui sair para conhecer Atlanta. 

O que posso dizer desse momento? Foi o pior de toda a viagem; desejei voltar para casa, prometi a mim mesma que se não conseguisse embarcar no outro dia, voltaria para o Brasil. Triste, frustrada, mas voltaria. Sei que nessa noite chorei muito, muito mesmo. Estava assustada e com aquele primeiro medo que citei lá em cima.



Acabei adormecendo e acordando algumas poucas horas depois, troquei de roupa e corri para o aeroporto, o primeiro voo para Newark decolava as 7h da manhã, era ele que eu ia. Sai correndo pelo aeroporto, chorando feito criança, estava com a cara tão inchada que não estava me reconhecendo. Ainda parei no detector lá, porque segundo ele, meu corpo estava com algo suspeito, depois que eles viram que não tinha nada, minha bagagem foi parada por ter objeto suspeito, até o guarda viu que só tinha absorvente. (risos eternos)

Quando cheguei no portão de embarque, tinha umas sete pessoas a fila. Na minha mente: ca*****, f**** de novo! Não foi dois minutos, a colaboradora Delta virou e gritou “HURRY, PEOPLE, HURRY”!! Chega, corre, corre, quem sentar primeiro ganha. E foi assim que consegui embarcar para Newark. 

O voo foi muito tranquilo e o espaço aéreo americano é muito bom, como a viagem é toda pelo continente, a aeronave não balança nada e isso ajudou bastante, foram as duas horas de voo mais tranquilas que já tive, só que quando chegou no espaço aéreo de Newark, a coisa mudou de figura. Foi tanto vento, o avião balançava tanto que quase vomitei, não vou mentir que fiquei com medo mesmo, achei que ia morrer e tudo, mas correu tudo bem e o pouso aconteceu. 

Desembarquei, peguei bagagem, liguei pra Jess e para a Tia Tânia, mas não consegui falar com elas, como eu tinha o endereço, peguei o táxi e fui assim mesmo. Depois de sentir frio (tava frio pra cawaca), conseguir contato, entrar em casa, não saber como funciona o banheiro, encontrar a Jess, abraçar a tia Tânia, comer, me agasalhar, eis que três horas depois de tudo isso, eu estava em um metrô, passando por baixo do rio Hudson, ouvindo minha amiga dizer: “Ah, já estamos em New York”. 



Eu gostaria de falar mais sobre NY nesse post, mas ele ficaria imenso e sinceramente? Quero fazer um post especial, muito especial mesmo, dedicado a cidade, então... 

Até a terceira e última etapa dessa viagem. ;)

6 comentários:

  1. Minha técnica pra não sentir medo é não pensar.
    Não pensar no voo, quando estou no voo, não pensar que estou lá. Se balançar, não pensar que eu estou a zilhões de metros do chão. Eu tento focar em qualquer outra lembrança, menos que eu estou dentro de um avião.

    Eu tb tomei Dramim e não dormi! Na volta nem tomei pq saberia que não ia adiantar. hahahahhaa

    O aeroporto de Detroit tb tem um mini metro dentro. Mas a gente só viu depois que já tínhamos andado até o nosso embarque.

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    1. Rê,
      Eu até tento, viu? Mas, é complicado. Recentemente viajei para Ilhéus, e foi só entrar na aeronave que eu estava tremendo feito vara verde. Em Atlanta, os portões de embarque são letras e eu estava no A e meu embarque era no F, céus... Não sei se conseguiria chegar caso fosse caminhando.
      Obrigada pelo comentário, Rê.
      Beijo!

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  2. Medo de avião é uma coisa engraçada, mas acho que acontece com a maioria das pessoas. Sempre tento fazer como a Re, não pensar que está lá ou que está no alto - muito alto. Turbulências acontecem, morro de medo também. Finjo que estou em um carro/ônibus e passando por uma via esburacada. Funciona? As vezes. Mas faz parte.
    O que não podemos fazer é deixar o medo controlar, até pq, se a gnt não voar, como iremos conhecer as cidades que sempre sonhamos? Sempre penso nisso de vencer o medo (ou pelo menos um pouco) para conseguir realizar meus sonhos.

    Ah, pensava que viajar sozinha ia ser um bicho de 7 cabeças. Nem foi ó.
    Mas o dramin não fez o efeito que eu queria, mas pelo menos não me deu enjôo (que sempre me dá pq sou fraca assim).

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  3. Mas pra quem tava com medo a senhorita foi beeeem corajosa! só de pensar em fazer tudo isso que tu fez sozinha me da uma coisa na boca do estômago
    Vou precisar das tuas dicas, carol ;) hehehe

    esperando o próximo post!!!

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  4. Estou esperando a terceira parte...
    To achando tudo muito hilário (e lindo). <3

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  5. Eu engasguei de tanto rir com a Paulina Bracho (prefiro a Paola, anyway!) e com a mala de absorvente suspeita.
    Você sabe que eu to aqui pra te acalmar sempre que for preciso, right?! ♥
    Eu estou mega curtindo esses posts sobre NYC! A forma como você conta parece roteiro de filme! Adoro!


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